A Fenomenologia do EspÃrito ocupa um lugar à parte na obra de Hegel. Isso se comprova muito simplesmente quando se interroga sobre a posição que ela poderia ter, no sistema hegeliano, em sua organização definitiva, aquela que a Enciclopédia das Ciências Filosóficas apresenta, de modo muito condensado. É manifesto que o que se intitula aqui (nas 2ª e 3ª edições) “Fenomenologia do EspÃritoâ€, a saber, o momento mediano da doutrina do espÃrito subjetivo que trata da consciência, só corresponde a uma parte, estreitamente circunscrita, do propósito da obra de 1807: os cinco primeiros capÃtulos, reagrupados eles mesmos em três seções que correspondem à s três primeiras subdivisões da “Fenomenologia do EspÃrito†da Enciclopédia – “A consciência como tal†(em 1807: “Consciênciaâ€); “A consciência de si†ou “A autoconsciência†(em 1807: idem); e “A razão†(em 1807: idem). Podemos compreender, então, que reputados comentaristas tenham sido tentados a concluir que há um recobrimento global do plano da “Filosofia do EspÃrito†da Enciclopédia e do plano da Fenomenologia – o capÃtulo VI desta torna-se, então, um primeiro esboço da doutrina do espÃrito objetivo; e os capÃtulos VII e VIII, uma antecipação da doutrina sistemática do espÃrito absoluto.