O objetivo desse artigo é refletir sobre certas manifestações de luto pela execução da vereadora carioca Marielle Franco, de forma a articular os seus aspectos políticos com as proposições sobre distribuição desigual do luto público da filosofia de Judith Butler. Desenvolvemos como hipótese a ideia de que o luto por Marielle Franco promove uma mistura entre as formas oficiais de luto e as formas populares e espontâneas, nas quais há um duplo movimento de reconhecimento. Nessa duplicação está a possibilidade ético-política de reafirmar a importância da pergunta de Butler “quando a vida é passível de luto?”.