Este breve artigo propõe apresentar algumas reflexões sobre o Portunhol selvagem enquanto fenómeno literário e cultural, aquele fenómeno que nasce na Tríplice Fronteira, espaço concreto, mas difícil de limitar, cujos elementos caracterizantes nos podem fazer refletir sobre a mudança em ato na vivência e leitura dos fenómenos culturais do nosso tempo. Integra-se, neste contexto, o conceito de “geopoética”, que não deve ser reduzida a uma vaga expressão lírica da geografia, já que a geopoética cria uma coerência geral, mas também aquele de “heterotopia” aquele espaço que foge à norma estabelecida e que é lugar de resistência ou de reorganização idiossincrática e cultural.