Este artigo analisa os desafios da gestão escolar em uma instituição do campo frente à transição de liderança, investigando como a aposentadoria de um diretor pode afetar o pertencimento comunitário, a valorização dos saberes tradicionais e a continuidade de projetos pedagógicos consolidados. Por meio de um estudo de caso qualitativo na Escola Municipal de Ensino Fundamental Intendente Manoel Ribas (EMEFIMR), em Santa Maria/RS, foram aplicados questionários com perguntas fechadas à equipe diretiva. Os resultados indicam que a gestão escolar no campo não se resume a um ato administrativo, mas constitui-se como uma prática de mediação cultural profundamente enraizada no território. A saída de um gestor que detém a memória viva dos projetos pode gerar um vácuo de sentido, colocando em risco a continuidade de iniciativas que articulam o judô, os jogos tradicionais e as oficinas temáticas. Conclui-se que a construção de uma política de gestão participativa e a sistematização dos saberes pedagógicos são estratégias fundamentais para garantir a sustentabilidade das escolas do campo, assegurando que a identidade e os projetos não se percam com a transição de lideranças.