Neste ensaio teórico, buscamos refletir sobre como a história das mulheres na ciência pode fornecer elementos pedagógicos para o ensino da Natureza das Ciências (NdC). Optamos por apresentar a abordagem da Semelhança de Família, pois ela contempla atualmente um dos modelos mais completos para NdC. Esta abordagem propõe que as ciências se agrupem em dois principais sistemas: cognitivo-epistêmico e social-institucional, os quais se subdividem em outras onze categorias. Colocamos em diálogo a história das mulheres na ciência e três dessas categorias previstas no sistema socioinstitucional: (a) organizações sociais e interações, (b) estruturas de poder político e (c) sistemas financeiros. Consideramos que essas três categorias refletem o papel das influências sociais sobre o empreendimento científico, reforçando que a ciência não existe de forma isolada da sociedade e, de maneira estrutural, apresenta elementos sexistas. Aprender sobre NdC envolve a exploração de casos históricos da ciência nos quais as relações de gênero tiveram um papel significativo. Esses casos incluem a apropriação dos conhecimentos produzidos pelas mulheres, as funções historicamente atribuídas a elas nesses contextos, as disparidades na representação das mulheres pela ciência, a desconsideração de seus anseios nas agendas de pesquisa e na ausência de suas vozes na construção dos conhecimentos científicos.