Ideologia Não Mobiliza? Determinantes da Motivação para Votar nas Eleições Municipais de 2024

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ISSN: 2764-4278
Editor Chefe: Yuri de Lima Ribeiro; Ricardo do Nascimento
Início Publicação: 02/02/2022
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Ciência política

Ideologia Não Mobiliza? Determinantes da Motivação para Votar nas Eleições Municipais de 2024

Ano: 2025 | Volume: 4 | Número: 2
Autores: M. C. Pradella, V. A. B. Coelho, J. C. Carbono, C. R. Pires
Autor Correspondente: M. C. Pradella | [email protected]

Palavras-chave: Abstenção Eleitoral; Ideologia; Eleições Municipais; Participação Política

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Historicamente, as eleições municipais brasileiras registram elevados níveis de abstenção, com destaque para as últimas eleições municipais, em 2024, o que sugereuma possível crise de representatividade em âmbito local. Este artigo investiga os fatores que explicam a disposição autônoma do eleitor para votar –isto é, sua motivação para participar das eleições independentemente da obrigatoriedade legal. A hipótese central é que,embora a ideologia seja relevante em disputas nacionais, ela possui capacidadelimitada de mobilização nas eleições municipais. Com base em dados do IPEC (2024), foi construídauma variável dependente que combina duas perguntas: a vontade subjetiva de votar e a intenção declarada de comparecer às urnas caso o voto não fosse obrigatório. Utilizou-se um modelo de regressão logística com variáveis independentes que incluem orientação ideológica, percepção da importância das eleições locais, escolaridade, renda, idade, sexo, religião e condição municipal (capital/interior). Os resultadosmostram que apenas 30,9% dos entrevistados possuem alta disposição autônoma para votar, e que a percepção de importância das eleições é o principal fator associado à mobilização voluntária. A orientação ideológica, por sua vez, apresentou efeitos limitados e estatisticamente frágeis, com destaque negativo para aqueles que não sabem ou recusam se posicionar. O estudo conclui que a participação eleitoral voluntária está mais relacionada ao sentido político atribuído ao pleito do que a fatores estruturais ou identitários. A competitividade eleitoral emerge, assim, como uma variável crítica para compreender o engajamento cidadão nas urnas



Resumo Inglês:

The 2024 Brazilian municipal elections recorded historically high abstention rates, suggesting a potential crisis of political representation at the local level. This article investigates the factors that explain voters’ autonomous willingness to vote —that is, their motivation to participate in elections regardless of the legal obligation. The central hypothesis is that, while ideology plays a relevant role in national elections, it has limited mobilizing power in local contexts. Based on survey data collected by IPEC (2024), we constructed a dependent variable combining two items: respondents’ subjective willingness to vote and their stated intention to do so if voting were not mandatory. A logistic regression model was estimated with independent variables including ideological self-placement, perceived importance of local elections, education, income, age, gender, religion, and municipal context (capital vs. interior). The results show that only 30.9% of respondents display a high autonomous willingness to vote, and that the perceived importance of local elections is the strongest predictor of voluntary participation. Ideological orientation, in contrast, shows limited and statistically weak effects, with lower engagement among those who cannot or do not wish to state a position. The study concludes that voluntary electoral participation is more closely associated with the political meaning attributed to the election than with structural or identity-based factors. Electoral competitiveness thus emerges as akey variable for understanding citizen engagement in local voting