A prática de contar histórias é milenar e tem atravessado gerações como uma das formas mais antigas e poderosas de comunicação humana. Desde as sociedades mais primitivas, havia a figura do contador de histórias — uma pessoa responsável por transmitir saberes, valores, tradições e mitos do seu povo. A função desse narrador variava conforme a cultura, a época e o contexto, mas sempre teve papel central na preservação da memória coletiva e na construção da identidade social dos grupos. Com o passar do tempo, a contação de histórias deixou de ser apenas uma tradição oral de cunho cultural ou espiritual e passou a ocupar um lugar especial também no ambiente educacional, especialmente na educação infantil. Isso se deve ao seu enorme potencial de desenvolvimento cognitivo, emocional, social e linguístico das crianças. Quando se conta uma história, não se está apenas entretendo — está se educando, formando e despertando. Na educação infantil, o ato de contar histórias contribui diretamente para o desenvolvimento infantil. Estimula a imaginação, fortalece a memória, amplia o vocabulário e desenvolve a escuta atenta. Por meio da escuta e do encantamento, a criança começa a compreender o mundo ao seu redor, relacionar situações, lidar com emoções e entender comportamentos humanos. Além disso, ouvir histórias fortalece vínculos afetivos, tanto com o adulto que conta quanto com os colegas que compartilham o momento, promovendo a socialização e a empatia.