Objetivou-se averiguar os modelos instituídos pela família para determinar comportamentos sociais para a infância e corpos infantis a partir de uma pesquisa bibliográfica e empírica. Os fundamentos e pressupostos teórico-metodológicos são os estudos foucaultianos de gênero e as teorias queer que procuram desconstruir a imagem de um corpo em torno de um genital e ou de uma sexualidade definida por características binárias, fixas e construídas. A sociologia da infância permitiu compreender as formas como a infância é concebida, por vezes, negada ou silenciada. Empiricamente entrevistou-se três mulheres transgêneras a partir da metodologia da História Oral relatando suas memórias de infância nos espaços familiares. Os resultados propiciaram reflexões acerca de comportamentos, padrões e normas que, embora tenham sido impostas para legitimar as infâncias e os corpos infantis destes indivíduos, tornam possível dizer que são ‘sobreviventes’, escapando aos discursos patologizantes ouvidos cotidianamente nos contextos familiares aos quais pertenceram.