O Brasil, que lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, possui lacunas críticas nos dados sobre homens trans e pessoas transmasculinas. Esse artigo se soma às iniciativas dos movimentos sociais para produção de dados sobre e com pessoas trans, compreendendo a urgência deles para a criação e qualificação de políticas públicas efetivas. Dessa forma, discutimos a invisibilidade das transmasculinidades na saúde a partir do perfil de homens trans e pessoas transmasculinas vinculadas ao Ambulatório Trans do município de Porto Alegre, RS/Brasil. Dentro dos dois anos de funcionamento do serviço, foram vinculados 418 usuários, sendo 384 homens trans e 34 transmasculinos. Destes, 328 (78,5%) são brancos, 244 (58,4%) têm entre 20 e 27 anos, 122 (29,2%) tem diploma de ensino médio e menos da metade (30,6%) trabalham formalmente. Homens trans brancos acessam serviços mais jovens e com maior nível educacional que negros, enquanto transmasculinos apresentam escolaridade superior. Os dados aqui produzidos mostram aqueles que conseguem enfrentar diferentes barreiras para ingressar em um serviço construído para facilitar o acesso de pessoas trans, evidenciando o longo caminho a ser percorrido para acolhimento sensível às complexidades dessa população no SUS.