Islã é uma religião brasileira tanto quanto o cristianismo. Ele está presente no Brasil desde os tempos coloniais. Ele tem características específicas (se manifestando como um „islã local‟) e, ao mesmo tempo pertença a umma (se manifestando como um „islã transnacional‟). Porém, a percepção do islã na educação e sociedade não é influenciada apenas pelo „islã local‟. A geopolítica de „fim de história‟ e „choque de civilizações‟, acompanhados pelas construções do orientalismo e da islamofobia acabam sendo mediado por vozes seculares (a mídia) e vozes religiosas (igrejas evangélicas). Isso é contra o princípio fundamental do diálogo inter-religioso que uma religião deveria falar por si mesma. Hans Küng, Ghazi bin Muhammad e Miroslav Volf propõem um caminho para o diálogo inter-religioso com base em razões religiosas (teológicas), algo que frequentemente deixa sociedades seculares profundamente desconfortáveis, especialmente diante da orientalização do islã e a crescente islamofobia. Bin Muhammad e Volf sugerem que amar a Deus e ao próximo é compartilhado pelo islã e cristianismo e é à base de convivência e construção do bem comum – entre eles enquanto religiões, e entre outros – em sociedades plurais.
Islam is a Brazilian religion as much as is Christianity. It is present in Brazil since colonial times. It has specific characteristics (manifesting itself as a „local Islam‟) and, at the same time, belonging to the umma (manifesting itself as a „transnational Islam‟). However, the perception of Islam in education and society is not only influenced by this „local Islam‟. Geo-politics with „the end of history‟ and „the clash of civilizations‟, accompanied by constructions of orientalism and islamophobia end up being mediated by secular voices (the media) and religious voices (evangelical churches). This goes against a fundamental principle of inter-religious dialogue that a religion ought to speak for itself. Hans Küng, Ghazi bin Muhammad and Miroslav Volf all propose a form of inter-religious dialogue based on religious (theological) reasoning, something which frequently leaves secular societies profoundly uncomfortable, especially in the face of orientalizing Islam and increasing Islamophobia. Bin Muhammad and Volf suggest that the love of God and neighbor is shared by Islam and Christianity and that it is a basis for living together and contributing to the common good – between them as religions, and among others – in plural societies.