Este artigo analisa a centralidade dos jogos e das brincadeiras na Educação Infantil, compreendendo-os como experiências estruturantes do desenvolvimento integral, da socialização e da produção de cultura pela criança. Parte-se do entendimento de que brincar não constitui atividade acessória, recreativa ou secundária no currículo, mas linguagem própria da infância e forma privilegiada de participação social. O objetivo do estudo é discutir como jogos e brincadeiras podem favorecer a constituição subjetiva, a aprendizagem, a autonomia, a imaginação e as relações entre pares, articulando fundamentos teóricos e implicações pedagógicas para a organização do cotidiano escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em autores como Vygotsky, Kishimoto, Brougère, Huizinga, Winnicott e Freire, além de documentos normativos brasileiros, como as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e a Base Nacional Comum Curricular. A análise evidencia que as práticas lúdicas possuem dimensão cognitiva, afetiva, corporal, ética e cultural, exigindo planejamento docente, escuta sensível e ambientes intencionalmente organizados. Defende-se que o jogo e a brincadeira devem ser compreendidos como direitos das crianças e como princípios curriculares, não como intervalos entre atividades consideradas mais importantes. Conclui-se que a valorização do brincar na Educação Infantil fortalece práticas pedagógicas democráticas, amplia repertórios culturais e reconhece a criança como sujeito histórico, criativo e produtor de sentidos.