O artigo aborda o posicionamento editorial dos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo sobre o movimento Escola Sem Partido entre os anos de 2014 e 2018. A análise está amparada na adaptação da análise crítica do discurso e da teoria de enquadramento, bem como em reflexões sobre ideologia, observando os argumentos do movimento Escola Sem Partido e o posicionamento dos jornais. Dentre as implicações analíticas, destaca-se que os jornais pautaram, editorialmente, o movimento Escola Sem Partido como um efeito (reação) de alguma causa (problema) que precisa resolver a suposta e etérea falta de qualidade e direcionamento educacional. Apesar das diferenças pontuais, nenhum editorial antagonizou a narrativa do movimento de que a doutrinação é uma consequência de uma prática constituída nas instituições educacionais do país. Ao reconhecerem a postura conservadora que assumem, os editoriais não problematizam a possibilidade de o movimento Escola Sem Partido ser uma causa de setores sociais com agendas próprias, naturalizando e assumindo suas prerrogativas.