A partir das definições de “cultura do cancelamento” (Castro; Libardi, 2024; Chiou, 2020; Woolf, 2020) e suas ressonâncias com determinadas práticas silenciadoras, como a censura (Cabrera, 2013; Pimentel, 2007), apresentamos uma leitura do percurso e de alguma obra da escritora portuguesa Judith Navarro (1910-1987), voz silenciada não apenas pelos tempos sombrios da ditadura salazarista, mas também pela própria crítica literária, que a reduziu a pouquíssimas linhas em apenas alguns títulos da historiografia oficial. A proposta, aqui, é a de dar visibilidade ao projeto de criação da autora, além de demonstrar a relevância de sua obra num período em que muitas mulheres resistiram ao apagamento, imposto pelo “lápis azul do acto censório” (Letria, 2023, p. 9).
Based on the definitions of “cancel culture” (Castro; Libardi, 2024; Chiou, 2020; Woolf, 2020) and its legacies with certain silencing practices, such as censorship (Cabrera, 2013; Pimentel, 2007), we present a reading of the career and some of the work of the Portuguese writer Judith Navarro (1910-1987), a silenced voice not only by the dark times of the Salazar dictatorship, but also by literary criticism itself, which reduced her to very few lines in just a few titles of official historiography. The proposal here is to give visibility to the author’s creative project, in addition to demonstrating the relevance of her work in a period in which many women resisted the erasure imposed by the “blue pencil of the censorship act” (Letria, 2023, p. 9).