A escolarização precoce na Educação Infantil constitui uma problemática relacionada à antecipação de tempos, práticas, conteúdos e formas de organização próprias de etapas posteriores da escolarização. Este artigo retoma e atualiza a discussão desenvolvida por Valim-Oliveira (2019), analisando-a à luz das normativas educacionais brasileiras e de evidências científicas recentes sobre brincadeira, movimento, corporeidade e qualidade das interações pedagógicas. Trata-se de um estudo teórico-conceitual, de abordagem qualitativa, fundamentado na obra de Valim-Oliveira e em revisão bibliográfica e documental atual. As evidências recentes indicam que experiências lúdicas, movimento, participação infantil e interações qualificadas constituem componentes relevantes da Educação Infantil, embora seus efeitos dependam da qualidade das experiências, da mediação docente e das condições ambientais. Estudos recentes também mostram que não há sustentação para uma oposição simplista entre brincadeira e aprendizagem ou entre movimento e desenvolvimento cognitivo. Argumenta-se que a escolarização precoce não deve ser definida simplesmente pela presença de letras, números, escrita ou atividades estruturadas, mas pela predominância de uma racionalidade que transforma a Educação Infantil em preparação antecipada para o Ensino Fundamental. Conclui-se que a questão proposta por Valim-Oliveira (2019) — “lápis na mão ou rolar no chão?” — permanece atual, desde que compreendida não como oposição entre ensinar e brincar, mas como uma provocação sobre quais experiências, tempos, corpos e formas de participação são legitimados na infância.