A literatura na primeira infância constitui-se como uma dimensão estruturante do desenvolvimento humano, na medida em que integra, de forma indissociável, linguagem, imaginação, emoção e processos de significação desde os primeiros anos de vida, possibilitando à criança não apenas o contato com a palavra, mas a inserção em universos simbólicos que ampliam sua compreensão de mundo e sua capacidade de atribuir sentidos às experiências vividas; nesse contexto, este artigo tem como objetivo analisar os fundamentos teóricos que sustentam a presença da literatura na Educação Infantil, articulando contribuições da psicologia do desenvolvimento e da teoria literária, ao mesmo tempo em que discute práticas pedagógicas que potencializam sua função formativa, considerando que o contato precoce com textos literários favorece a constituição do sujeito leitor, o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, da imaginação e das capacidades interpretativas, além de ampliar o repertório cultural e simbólico da criança; assim, compreende-se que a literatura deve ser concebida como direito e como experiência estética, que ultrapassa seu uso instrumental, exigindo práticas pedagógicas intencionais, sensíveis e contextualizadas, nas quais o professor assume papel mediador fundamental e os ambientes leitores são organizados de modo a promover o encontro significativo entre criança e literatura, contribuindo, desse modo, para a formação de sujeitos críticos, criativos e culturalmente inseridos.