A história da cultura escrita, sob a ótica da história cultural, constitui um campo privilegiado de análise, pois revela valores, práticas sociais e modos de organização de diferentes grupos ao longo do tempo. Justifica-se este estudo pela necessidade de compreender como as transformações tecnológicas impactam não apenas a forma de registrar e difundir informações, mas também a constituição das identidades culturais e educacionais contemporâneas. A problemática que orienta a pesquisa pode ser sintetizada na seguinte questão: de que maneira as tecnologias digitais têm alterado as práticas de leitura e escrita, e quais são as implicações desse processo para a formação crítica dos sujeitos? O objetivo geral deste trabalho é analisar as mudanças na cultura escrita ao longo da história, com ênfase nos impactos ocasionados pela revolução digital. Como objetivos específicos buscam-se compreender o percurso histórico da escrita, identificar as principais características da escrita no meio digital e discutir os avanços e desafios que essas mudanças representam no campo educacional. A metodologia utilizada baseou-se em pesquisa bibliográfica, com análise de autores que abordam a evolução da escrita e do letramento, como Goody, Olson, Kenski, Ramal, Costa e Street. Essa escolha metodológica possibilitou articular um panorama histórico das práticas de leitura e escrita, desde os registros rupestres até a comunicação digital contemporânea. Conclui-se que a cultura escrita está em constante transformação e que as tecnologias digitais ampliaram a circulação da informação e democratizaram a produção textual. Contudo, também trouxeram riscos, como a superficialidade e o enfraquecimento da norma culta. Assim, destaca-se a importância da escola e demais instituições formadoras em mediar o uso consciente dessas ferramentas, garantindo a construção de sujeitos críticos, reflexivos e preparados para transitar entre diferentes contextos comunicativos.