A máquina do (novo) mundo: o poema “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

A máquina do (novo) mundo: o poema “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa

Ano: 2025 | Volume: Especial | Número: 36
Autores: Sérgio Alcides
Autor Correspondente: Sérgio Alcides | [email protected]

Palavras-chave: Cláudio Manuel da Costa, Poesia luso-brasileira, Capitania de Minas Gerais, Vila Rica, Melancolia

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

No poema heroico Vila Rica, de 1773, Cláudio Manuel da Costa aborda a pacificação da Guerra dos Emboabas e a fundação das primeiras vilas da Capitania de Minas Gerais. Embora não se sirva aí da oitava-rima utilizada nos Lusíadas, o autor faz diversas alusões à obra-prima de Luís de Camões. Entre estas, duas têm grande importância na estrutura narrativa do poema: o gigante Itamonte aparece na paisagem mineira como irmão de Adamastor, também empenhado em impedir a passagem dos conquistadores; e, no meio dos sertões, um engenho maravilhoso oferece ao herói a revelação de glórias futuras, tal como na Ilha dos Amores a máquina do mundo se apresenta a Vasco da Gama. Entretanto, na obra luso-brasileira, ambas as passagens se voltam para especificidades do povoamento e da colonização do Novo Mundo, e em particular para o tema da melancolia, associado à violência da exploração econômica, em contraposição à perspectiva de uma ordem civil, que o autor relaciona com o próprio ofício da poesia.



Resumo Inglês:

In the heroic poem Vila Rica (1773), Cláudio Manuel da Costa addresses the pacification of the War of the Emboabas and the founding of the first towns in the Captaincy of Minas Gerais. Although he does not employ the ottava rima used in The Lusiads, the author makes several allusions to Luís de Camões’s masterpiece. Among these, two are of great importance to the poem’s narrative structure: the giant Itamonte appears in the Minas landscape as the brother of Adamastor, likewise intent on preventing the conquerors’ passage; and, in the midst of the backlands, a marvelous contrivance offers the hero a revelation of future glories, just as in the Isle of Love the “machine of the world” is revealed to Vasco da Gama. In the Luso-Brazilian work, however, both episodes are redirected toward the specific circumstances of settlement and colonization in the New World, and in particular toward the theme of melancholy, associated with the violence of economic exploitation, in contrast with the prospect of a civil order, which the author links to the very craft of poetry.