Este artigo analisa a articulação entre máscara, alteridade e formação humana a partir de um diálogo entre Freud, Sartre, Nietzsche, Foucault e José Saramago. A partir da metáfora central de Ensaio sobre a cegueira, discute-se como a modernidade transforma a persona, antes mediadora simbólica, em mecanismo de defesa e alienação. Em Sartre, a máscara torna-se expressão da má-fé e da identidade cristalizada pelo olhar do outro; em Freud, a experiência do estranho (Unheimlich) revela o retorno do recalcado e o desmascaramento do sujeito. Saramago radicaliza essas tensões ao mostrar que a cegueira coletiva representa a dissolução das máscaras sociais e a exposição da violência, do desamparo e da fragilidade humana. O ensaio propõe, assim, uma pedagogia do desvelamento, na qual educação e psicanálise convergem para a formação do olhar ético, capaz de reconhecer o outro e a si mesmo. Ao integrar as noções de máscara, estranhamento e cuidado de si, a reflexão aponta a educação como espaço de elaboração, travessia e reconstrução subjetiva em tempos de “cegueiras luminosas”.