O emprego de música preexistente é uma característica do cinema contemporâneo (Hubbert, 2014; Chion, 2019) e, no caso da música clássica, os repertórios barroco e minimalista se destacam. Observamos essas recorrências em nossa pesquisa de filmes contemporâneos autorais a partir de um mapeamento do repertório em filmes participantes dos festivais de Berlim, Cannes e Veneza. Neste artigo, detemo-nos na América Latina, com o objetivo de destacar quatro filmes que apresentam essas características de repertório, fazendo análise fílmica de sequências com música: Gloria (2013) e Uma mulher fantástica (2017), ambos de Sebastián Lelio, El Club (Pablo Larraín, 2015) e Birdman (Alejandro Iñarritu, 2014). Nos três primeiros, há música de Bach, Handel e Vivaldi, sendo a música desses dois últimos especialmente importantes na narrativa de Uma mulher fantástica. Em El Club destacam-se as obras do compositor Arvo Pärt e seu sentido espiritual é explorado. O também minimalista John Adams é utilizado em Birdman, num dos momentos de maior ambiguidade entre diegético e extradiegético. Também consideramos o conceito de “música de autor” de Gorbman (2007), que se refere à escolha da trilha musical pelo diretor do filme e ao seu consequente controle maior sobre a música. Para isso, recolhemos informações em entrevistas com os diretores e colaboradores, e observamos que o conceito se aplica principalmente a Sebastián Lelio.
The use of pre-existing music is characteristic of contemporary cinema (Hubbert, 2014; Chion, 2019), and, in the case of classical music, the baroque and minimalist repertoire stands
out. I observed these recurrences in my research about contemporary authorial films by mapping the repertoire in the films that took part in Berlin, Cannes and Venice film festivals. In this article, I focus on Latin America, with the aim to highlight four films that have these repertoire characteristics, proceeding to a film analysis of the sequences with music: Gloria (2013) and A Fantastic Woman (2017), both by Sebastián Lelio, El Club (Pablo Larraín, 2015) and Birdman (Alejandro Iñarritu, 2014). The first three feature music by Bach, Handel and Vivaldi, the latter two being especially important in the narrative of A Fantastic Woman. In El Club, works of composer Arvo Pärt stand out and their spiritual meaning is explored. The also minimalist composer John Adams is present in Birdman, in one of the most ambiguous moments between diegetic and extradiegetic. I also considered Gorbman’s (2007) concept of “auteur music”, which refers to the choice of music works by the film’s director and his consequent greater control over music. To this end, I gathered information in interviews with the directors and collaborators, and noted that the concept applies mainly to Sebastián Lelio.