Mahmundi e a cidade: espacialidades, sonoridades e textualidades acústicas

Lumina

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ISSN: 19814070
Editor Chefe: Gabriela Borges Martins Caravela
Início Publicação: 31/05/2007
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Comunicação

Mahmundi e a cidade: espacialidades, sonoridades e textualidades acústicas

Ano: 2025 | Volume: 19 | Número: 3
Autores: Gustavo Souza Santos
Autor Correspondente: Gustavo Souza Santos | [email protected]

Palavras-chave: música, cidade, espaço, textualidade, mahmundi, music, city, space, textuality

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A música é um dispositivo mediador das sensibilidades e tessituras da realidade em suas textualidades, performatividades e sonoridades. De sua conjuntura, desprendem-se elementos recombinantes do real capazes de erigir – nos recônditos intra e intersubjetivos – paisagens do eu, mediadas de paisagens sonoras, por sua vez, deflagradas em paisagens de um cotidiano-imagem. Reflete-se aqui as textualidades que produzem paisagens sonoras no álbum auto-intitulado de 2016 da cantora carioca Mahmundi, considerando os percursos que suas musicalidades e mediações produzem como um dispositivo que (re)combina som e música às paisagens do eu e do cotidiano. Seu pano de fundo e cenário é a cidade do Rio de Janeiro/RJ, mas se expande podendo designar na recepção qualquer outra cidade em diversidade. Em Mahmundi (2016), buscou-se reconstituir a paisagem sonora na categoria do espaço idílico da cidade e suas paixões. O percurso metodológico apoia-se na análise da paisagem sonora adaptadas dos pressupostos de Schafer (2001) e Vaz, Mello Vianna e Santos (2018) que consideram tipo, qualidade, papel, estratégia, materialidade, visualidade, sentidos e representações dos sons e sua paisagem, tendo por corpus o álbum em questão. Nas canções e na sociabilidade musical, há um empuxo de materializar, plasmar e fixar sentidos fugidios e vertiginosos do cotidiano ou da produção de si no cotidiano sonorizado. As textualidades – e sociabilidades – construídas na experiência de consumo do produto artístico são derivadas da música como dispositivo mediador da realidade feita manufatura sensível. O sujeito, em suas partes, se encontra inteiro – ainda que provisoriamente – no todo musical, no todo real e no todo de si, como Mahmundi (2016) canta e faz ouvir.



Resumo Inglês:

Music is a mediating dispositif of sensibilities and of the weavings of reality in its textualities, performativities, and sonorities. From its conjuncture emerge recombinatory elements of the real capable of erecting, within intra and intersubjective recesses, landscapes of the self, mediated by soundscapes which, in turn, are triggered into landscapes of an image-everyday. What is reflected here are the textualities that produce soundscapes in the self-titled 2016 album by Rio de Janeiro based singer Mahmundi, considering the trajectories that her musicalities and mediations generate as a dispositif that (re)combines sound and music with the landscapes of the self and of everyday life. Its background and setting is the city of Rio de Janeiro (RJ), yet it expands in reception, potentially designating any other city in its diversity. In Mahmundi (2016), an attempt is made to reconstitute the soundscape within the category of the city’s idyllic space and its passions. The methodological pathway is grounded in soundscape analysis adapted from the premises of Schafer (2001) and Vaz, Mello Vianna, and Santos (2018), which consider the type, quality, role, strategy, materiality, visuality, meanings, and representations of sounds and their landscape, taking the album as its corpus. Within the songs and musical sociability, there is an impulse to materialize, shape, and fix fleeting and vertiginous meanings of everyday life or of the production of the self within a sonorized everyday. The textualities – and sociabilities – constructed in the experience of consuming the artistic product derive from music as a mediating dispositif of reality rendered as sensitive manufacture. The subject, in its parts, finds itself whole, albeit provisionally, within the musical whole, the real whole, and the whole of the self, as Mahmundi (2016) sings and makes audible