Este artigo discute o uso de mapas como linguagem e fonte no ensino de História, com ênfase nas relações entre lugar, escala, circulação e formação do território. O objetivo é propor fundamentos e um percurso didático para que a leitura cartográfica ultrapasse a localização de acontecimentos e contribua para a construção do raciocínio histórico. A reflexão articula contribuições de Milton Santos sobre espaço, técnica e totalidade, estudos da cartografia crítica, princípios da educação geográfica e competências previstas na Base Nacional Comum Curricular. Defende-se que todo mapa seleciona, hierarquiza e silencia informações; por isso, sua leitura deve considerar autoria, finalidade, convenções, contexto de produção e efeitos políticos. O movimento do lugar ao mundo permite relacionar experiências próximas dos estudantes a processos amplos, sem tratar uma escala como simples ilustração da outra. Ao final, apresenta-se uma sequência de cinco operações: problematizar, decodificar, mudar de escala, cruzar fontes e produzir uma representação argumentada. Conclui-se que o mapa, quando interrogado como documento histórico, favorece a percepção das desigualdades territoriais, das permanências e mudanças e da condição dos sujeitos na produção do espaço.