Uma enorme quantidade de ações e iniciativas se multiplicaram na Itália para homenagear a memória e a história de luta e de vida de Marielle Franco, após o seu assassinato. Se a narrativa sobre o caso pessoal de Marielle e a sua potente figura pode ter descuidado o contexto específico carioca ligado ao motivo da sua “execução política”, é inegável que a potência da sua herança está no feito de ter se tornado um símbolo transnacional do feminismo interseccional que combate, conjuntamente, sexismo, racismo, homofobia e transfobia, desigualdade económica, criminalização da pobreza e diferentes formas de neocolonialismo. Na Itália, onde existe uma longa história de negação do passado colonial, um difícil surgimento de vozes afroitalianas e onde os discursos e temas feministas são sempre mais instrumentalizados para fortalecer propagandas racistas contra imigrantes, a história da luta de Marielle Franco teve uma forte ressonância: a sua força no caminho de visibilização das lutas e vozes feministas afrodescendentes representou um importante exemplo pelas redes feministas nacionais e transnacionais.