A desidentificação com a masculinidade hegemônica e com a heterossexualidade, sua principal sinalizadora, gera um processo melancólico na constituição do gênero e da sexualidade dissidente. Associa-se a juventude ao circuito dessa economia simbólica como o momento da vida que mais carrega a expectativa de sua materialização, isto é, meninos-homens, másculos e heterossexuais. Quando os jovens percebem que não conseguem seguir essa “receita cultural”, passam a constituir-se pela própria vulnerabilidade de suas identidades e a melancolia persiste mediante as desvinculações socioculturais. Com isso, objetivamos analisar os determinantes de produção da melancolia de gênero na trajetória de vida de jovens gays afeminados. Utilizamos uma abordagem qualitativa, e os dados foram produzidos por meio de entrevista semiestruturada, cuja sistematização foi feita com base nos Núcleos de Significação, conforme proposto por Aguiar e Ozella (2006; 2013). Identificamos que a identidade dos jovens, gays e afeminados é marcada pelo medo de passarem toda a vida como mobilizadores de conflitos sociais que minam todos os seus processos de pertencimento e vinculação, levando à inibição de todo potencial de agenciamento de gênero e sexualidade e a um rebaixamento de si que provoca o cansaço e a exaustão de resistir às instituições sociais.