A mediação socioemocional de conflitos tem se consolidado como uma estratégia relevante para a promoção de ambientes educativos inclusivos, especialmente após o fortalecimento das políticas de inclusão escolar impulsionadas pela Declaração de Salamanca. Em escolas marcadas pela diversidade de trajetórias, necessidades e formas de aprendizagem, os conflitos não podem ser compreendidos apenas como situações de indisciplina ou ruptura da ordem, mas como expressões das relações humanas e das tensões próprias da convivência coletiva. Nesse contexto, torna-se necessário superar práticas centradas exclusivamente na punição e avançar em direção a abordagens que valorizem o diálogo, a escuta e a construção compartilhada de soluções. Este artigo discute os fundamentos teóricos da mediação socioemocional, analisando modelos de intervenção aplicáveis ao cotidiano escolar e refletindo sobre o papel do educador como agente mediador. Defende-se que a mediação socioemocional não deve ser entendida como uma ação complementar da inclusão, mas como parte constitutiva dela, pois contribui para o desenvolvimento da autonomia, da empatia e do respeito às singularidades. Conclui-se que integrar as dimensões afetivas e cognitivas à gestão dos conflitos escolares constitui condição essencial para a construção de uma convivência democrática e para a consolidação da escola como espaço de pertencimento e participação de todos.