A Mieloencefalite Protozoária Equina (EPM) é uma enfermidade neurológica de elevada relevância clínico-sanitária, causada predominantemente pelo protozoário Sarcocystis neurona e, com menor frequência, por Neospora hughesi. É reconhecida como uma das principais causas de disfunção neurológica em equinos nas Américas. O ciclo epidemiológico envolve os gambás (Didelphis spp.) como hospedeiros definitivos, responsáveis pela eliminação de esporocistos no ambiente, contaminando água e alimentos ingeridos pelos equinos, que atuam como hospedeiros intermediários aberrantes. As manifestações clínicas são variáveis e dependem da localização das lesões no sistema nervoso central, destacando-se ataxia assimétrica, fraqueza, incoordenação motora, paresia de nervos cranianos, flacidez facial e disfagia, com evolução gradual ou, em alguns casos, de instalação aguda. O diagnóstico é desafiador e baseia-se na associação entre exame neurológico detalhado, exclusão de diagnósticos diferenciais e detecção de anticorpos específicos no soro e no líquido cefalorraquidiano, por meio de testes como ELISA e imunofluorescência indireta. O tratamento fundamenta-se no uso de fármacos antiprotozoários, como diclazuril, ponazuril ou a associação sulfadiazina-pirimetamina, frequentemente associados a anti-inflamatórios, dimetilsulfóxido e suplementação antioxidante. O presente estudo teve como objetivo relatar um caso de EPM em uma potra da raça Mangalarga Marchador, diagnosticada com base em sinais neurológicos compatíveis e na confirmação sorológica para S. neurona. A instituição precoce de terapia com diclazuril, antioxidantes e dimetilsulfóxido resultou em recuperação clínica completa, sem déficits neurológicos residuais. O caso reforça a importância do diagnóstico precoce, do manejo terapêutico adequado e da adoção de medidas preventivas, incluindo o controle de gambás e a proteção de alimentos e de fontes hídricas, de forma adequada e contínua.
Equine Protozoal Myeloencephalitis (EPM) is a neurological disease of high clinical and sanitary relevance, caused by the protozoan Sarcocystis neurona and, less frequently, by Neospora hughesi. It is recognized as one of the leading causes of neurological dysfunction in horses in the Americas. The epidemiological cycle involves opossums (Didelphis spp.) as definitive hosts, which shed sporocysts into the environment and contaminate water and feed consumed by horses, which act as aberrant intermediate hosts. Clinical signs vary depending on where lesions occur in the central nervous system. Common signs include asymmetric ataxia, weakness, incoordination, cranial nerve paresis, facial flaccidity, and dysphagia, with either gradual progression or, in some cases, acute onset. Diagnosis remains challenging and is based on a thorough neurological examination, exclusion of differential diagnoses, and detection of specific antibodies in serum and cerebrospinal fluid using tests such as ELISA and indirect immunofluorescence. Treatment involves antiprotozoal drugs such as diclazuril, ponazuril, or the sulfadiazine–pyrimethamine combination, often combined with anti-inflammatory drugs, dimethyl sulfoxide, and antioxidant supplementation. This study reported a case of EPM in a Mangalarga Marchador filly, diagnosed based on compatible neurological signs and serological confirmation of S. neurona. Early therapy with diclazuril, antioxidants, and dimethyl sulfoxide led to complete clinical recovery, with no residual neurological deficits. This case highlights the importance of early diagnosis, appropriate therapeutic management, and preventive measures, including controlling opossums and protecting feed and water sources.
La Mieloencefalitis Protozoaria Equina (EPM) es una afección neurológica importante inducida principalmente por Sarcocystis neurona y, en menor medida, por Neospora hughesi. Es una de las principales causas de trastornos neurológicos en los caballos en las Américas. El ciclo de la enfermedad involucra a las zarigüeyas como huéspedes definitivos, que contaminan el medio ambiente con esporoquistes, y a los caballos como huéspedes intermediarios. Los síntomas clínicos dependen de la localización de las lesiones en el sistema nervioso central y las manifestaciones más frecuentes son la ataxia, la debilidad, la falta de coordinación, los déficits de los nervios craneales y la disfagia, que pueden presentarse de forma progresiva o aguda. El diagnóstico es complejo y se basa en evaluaciones neurológicas exhaustivas, exclusiones diagnósticas y la detección de anticuerpos específicos mediante ELISA e inmunofluorescencia en el suero y en el líquido cefalorraquídeo. El tratamiento incluye medicamentos antiprotozoarios, como el diclazurilo o el ponazurilo, que a menudo se combinan con agentes antiinflamatorios y antioxidantes. El objetivo de este estudio es presentar un caso de mielitis espalagrosa en una potranca marchante de Mangalarga, confirmado por los signos neurológicos y la evidencia serológica de la presencia de S. neurona. El inicio temprano del tratamiento con diclazurilo y los tratamientos de apoyo permitieron una recuperación clínica completa sin déficits residuales. Este caso pone de relieve la importancia fundamental del diagnóstico precoz, del tratamiento eficaz y de las estrategias preventivas, que incluyen el control de las zarigüeyas y la protección de los alimentos y del agua.