A limitada participação de mulheres na produção de filmes brasileiros repete uma tendência mundial marcada de obstáculos tanto para mulheres que trabalham atrás quanto para as que estão à frente das câmeras. As imagens no cinema refletem ideais hegemônicos de feminilidade e objetificam a mulher, espetacularizando-a e reificando o lugar de espectador perfeito para o homem. As representações de mulheres cuidadoras, em específico, podem reproduzir concepções dominantes que reforçam uma naturalização dessa função. No cinema de horror, o monstro é preponderante, perturba e evoca nojo no público. Essas figuras se coincidem nos curtas Pra Eu Dormir Tranquilo (2011) e O Duplo (2012) da diretora brasileira Juliana Rojas, onde cuidadoras dominadoras e agressivas se encontram impossibilitadas de manter suas fantasias de identidade, adentrando uma crise representativa que só pode ser resolvida de forma violenta: o tornar-se monstro.