A endometriose é uma patologia ginecológica benigna caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando mais de 7 milhões de brasileiras — o que corresponde a uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva. Nas últimas décadas, movimentos sociais, grupos organizados e associações surgiram em todo o país, articulando-se principalmente por meio das redes sociais, com o objetivo de promover conscientização, reconhecimento e reivindicar políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença. Este artigo busca mapear a atuação desses movimentos e de ativistas na formulação da agenda governamental sobre endometriose, por meio da análise documental de sessões da Câmara dos Deputados, discussões em comissões e da tramitação dos Projetos de Lei n. 6.215/2013 e 3.047/2019. Os resultados evidenciam a importância do ativismo institucional na inserção inicial do tema na agenda pública, e a posterior articulação com o movimento Endomarcha, que fortaleceu a visibilidade política da doença e contribuiu para a consolidação de políticas públicas específicas.