Se na verdade existe algo de absoluto e de intemporal, no relativismo expressa-se a mutabilidade do contingente,
de modo que a realidade objetiva e o sentido subjetivo se tornam separados desde a origem. O aspecto mais
inquietante da cultura contemporânea se encontra na inimizade conceitual entre o eu e a verdade, com
conseqüências na concepção da liberdade. Esta, concebida como autonomia do indivÃduo, se inverte na submissão
dos indivÃduos ao Estado – visto como verdade – que lhes oferece legitimidade, dando-lhes literalmente o “serâ€. A
verdade do eu se transforma na vontade geral e a liberdade do singular passa a coincidir com seu pertencimento ao
corpo do Estado, de modo que a relação entre o eu e a verdade pode e deve se realizar apenas na forma polÃtica. A
permanência de identidades e comunidades religiosas no interior de um horizonte cultural laico faz com que o
discurso religioso no debate público seja considerado uma proposta possÃvel de racionalidade. Mais do que uma
mera tolerância do Estado com relação à liberdade religiosa, trata-se de um primeiro nÃvel de integração cognitiva
das razões religiosas na racionalidade laica, no âmbito da ética. Quando se passa a considerações de verdade
diferentes, com relação ao eu e ao mundo, existe uma assimetria da verdade metafÃsica e religiosa em relação a
uma simples visão ética do mundo.
If indeed there is something timeless and absolute, the mutability of the contingent is expressed in relativism, in a
way that objective reality and subjective sense become separated from their origin. The most disturbing aspect of
contemporary culture lays is in the conceptual enmity between the self and the truth, with consequences in the
conception of freedom. When such freedom is taken as individual autonomy, it becomes itself in the submission of
individuals to the state which is always seen as the truth that gives them legitimacy. The truth of the self becomes
in the general will and the freedom of the individual happens to belong to the body of the state, so that the
relationship between the self and the truth can and should be performed only in political form. The permanence of
identities and religious communities within a secular cultural horizon makes the religious discourse in public
debate a possible proposal of rationality. More than mere tolerance of the state relating to religious freedom, this is
a first level of cognitive integration of religious reasons within secular rationality under ethics. When it comes to
considerations other than truth, about the self and the world, there is an asymmetry of the metaphysical and
religious truth with regard to a simple ethical vision of the world.