Dinâmicas das redes sociais têm redefinido práticas jornalísticas, levando à percepção de uma crise em noções como objetividade e imparcialidade. A discussão sobre pós-verdade durante as eleições norte-americanas de 2016 é um sintoma de demandas sociais pela responsabilidade de atores midiáticos em relação às informações divulgadas e da necessidade de um reposicionamento deontológico e epistemológico no campo do jornalismo. No Brasil, esse contexto também envolve a cobertura jornalística da crise política que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A partir desse quadro, o trabalho procura apontar a pertinência dos valores de multiparcialidade e dialogismo para um reposicionamento conceitual do jornalismo. Assim, é proposta uma aproximação teórica entre os estudos midiáticos da cultura participativa com o campo linguístico discursivo para se refletir sobre formas potencialmente mais democráticas e polifônicas do exercício do jornalismo na contemporaneidade.
Social network dynamics have redefined journalistic practices, raising the perception of a crisis in notions such as objectivity and impartiality. The post-truth debate during the 2016 American elections is a symptom of social demands for the responsibility of media players in relation to the information disclosed, and of the need for a deontological and epistemological review in the field of journalism. In Brazil, this context also involves the journalistic coverage of the political crisis that led to the impeachment of former President Dilma Rousseff. From this perspective, the paper seeks to point out the relevance of the values of multiparty and dialogism for a conceptual repositioning of journalism. Thus, a theoretical approach is proposed connecting media studies on participatory culture and the discursive linguistic field to reflect on potentially more democratic and polyphonic forms of contemporary journalism practice.