O presente artigo tem por objetivo averiguar o processo de silenciamento das mulheres no ambiente político brasileiro, com base na proposição analítica de três planos fundamentais: a ausência ou baixa representação de minorias no espaço político; a negação sistemática de participação da voz feminina nos ambientes de debate; e a interdição permanente de discursos contra-hegemônicos entoados por vozes subalternas. Para tanto, parte da premissa de que o cenário político brasileiro se apresenta como um espaço frutífero para se pensar a violência simbólica sofrida pelos sujeitos femininos, a partir da operacionalização de formas que resultam na invisibilização das mulheres. Além de trazer uma revisão bibliográfica sobre a participação de minorias na esfera política, atentando para as diferenças entre uma política de ideiase uma política de presença, o estudo discorre sobre a prática do manterrupting no meio governamental, destacando tanto as problemáticas em categorizá-lo como micromachismo, quanto a relevância do discurso como próprio objeto de disputa. Em um segundo momento, analisa o assassinato da vereadora Marielle Franco como a representação máxima de interdição de uma voz e, ainda, reflete sobre os efeitos dessa tentativa de silenciamento, considerando a reverberação das pautas defendidas por Franco.