Com base em extenso trabalho de campo, o presente artigo apontaalgumas implicações estruturais de representações e práticas organizadasem torno da implementação da política de formação profissional esboçadapela extinta Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro(SESEG) entre os anos de 2008 e 2017, período conhecido pela chamadapolítica de pacificação. Partindo dos objetivos dapolítica, conforme professados por seus gestores e idealizadores, otexto explora a forma como o discurso da pacificaçãoera consumido nos espaços ditos “escolarizados” de socialização da PMERJno período em que esta pesquisa foi realizada. A etnografia revelou comoa desautorização de discursos identificados com um funcionamento “ideal”das instituições realizava uma tensão estrutural de fundo, fazendo comque representações acerca de noções como mudança econtinuidade atravessassem o cotidiano do referidoprojeto de formação profissional, que era também um projeto deconsolidação de uma “nova polícia”. Característica amplamentereconhecida em diversos outros trabalhos sobre a formação policialmilitar, essa tensão encontrava sua expressão mais acabada na frase “nateoria, a prática, é outra coisa”, repetida à exaustão ao longo de todoo trabalho de campo realizado. Por fim, o artigo explora a oposiçãocontínua entre mudança e continuidade,nova e velha polícia, entre outrosbinarismos que embalaram a política à época.
The article addresses the professional training policy outlined bythe Rio de Janeiro State Secretary for Public Safety, among 2008 and2017. This period was known for the “pacification policy”. Based on thatpublic politic, the text explores developments with the sectorsresponsible for police education. Material conditions are explored tosituate the way in which the “speech of pacification” was consumed inthe schooled spaces for socialization of the PMERJ. Theethnography reveals the existence of a fundamental structural tension,making representations about notions such as change andcontinuity across the referred training project. Theopposition between theory and practicewas reworked in the continuous tension between "change" and"continuity"; new and oldpolice, among other binaries that packed the Pacification Policy.