Este artigo analisa a importância do contato com a natureza, do corpo e das experiências sensoriais na Educação Infantil, compreendendo que a aprendizagem das crianças pequenas ocorre de forma integrada, situada e profundamente vinculada à exploração e à interação com o mundo vivo. O objetivo é discutir como práticas pedagógicas desenvolvidas em espaços externos, envolvendo elementos naturais e experiências corporais, podem contribuir para o desenvolvimento integral, a curiosidade científica, a sensibilidade estética e a construção de atitudes de cuidado com o ambiente. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica, fundamentada nas contribuições de autores como Tiriba, Louv, Dewey, Montessori, Vygotsky, Wallon e Freire, bem como em documentos curriculares brasileiros. A análise evidencia que a redução progressiva do contato das crianças com a natureza, associada à urbanização, à cultura das telas e à escolarização precoce, pode limitar experiências essenciais de movimento, investigação, imaginação e construção do sentimento de pertencimento. Nesse contexto, defende-se que pátios, jardins, parques, hortas, quintais e demais espaços do entorno sejam reconhecidos como ambientes pedagógicos e não como espaços secundários do processo educativo. O estudo também problematiza práticas que mantêm as crianças predominantemente em salas fechadas e centradas em atividades abstratas, desconsiderando que a infância aprende por meio do corpo, dos sentidos, das interações e das experiências concretas. Conclui-se que aproximar as crianças da natureza não constitui uma ação complementar, mas um compromisso educativo, ético e político com uma formação mais sensível, ecológica, integral e humanizadora.