A natureza jurídica dos créditos de carbono na Lei 15.042/2024

Revista da Defensoria Pública da União

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ISSN: 24484555
Editor Chefe: Erico Lima de Oliveira
Início Publicação: 18/10/2018
Periodicidade: Semestral

A natureza jurídica dos créditos de carbono na Lei 15.042/2024

Ano: 2026 | Volume: 25 | Número: 25
Autores: Lucas Ribeiro Cunha, Lise Vieira da Costa Tupiassu Merlin
Autor Correspondente: Lucas Ribeiro Cunha | [email protected]

Palavras-chave: créditos de carbono. natureza jurídica. lei n.º 15.042/2024. sistema brasileiro de comércio de emissões. externalidades ambientais.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

As mudanças climáticas já são uma realidade que assola o globo terrestre. Diante disso, o Mercado de Carbono se revela como um instrumento que promete auxiliar no enfrentamento das alterações do clima, recentemente regulado no Brasil pela Lei n.º 15.042/2024. A legislação inovou ao tratar sobre a natureza jurídica dos créditos de carbono, que, até então, era indefinida. A pesquisa, de tipo descritiva e qualitativa, utiliza do método dedutivo e das técnicas bibliográfica e documental, para identificar como a referida norma estruturou a natureza jurídica dos créditos de carbono. Para isso, aborda-se a evolução do Direito Ambiental no Brasil e no mundo, as discussões entre Pigou e Coase, que sustentam o embasamento teórico do Mercado de Carbono, e a inserção deste no país, com a consequente definição da natureza jurídica dos créditos de carbono. O estudo conclui que a natureza jurídica dos créditos de carbono varia conforme a sua utilização, podendo ser considerado como valor mobiliário, ao ser inserido no mercado financeiro e de capitais, ou fruto civil, caso seja derivado dos créditos florestais de reflorestamento ou preservação. Todavia, a legislação é omissa sobre a natureza jurídica dos créditos provenientes de programas de REDD+. Além disso, a classificação dos créditos florestais como frutos civis levanta dúvidas sobre a sua real eficácia na mitigação das mudanças climáticas, podendo criar uma falsa impressão de cancelamento total das emissões de gases do efeito estufa, quando, na realidade, ocorre apenas o deslocamento geográfico dessas emissões.



Resumo Inglês:

Climate change is a pressing reality affecting the entire globe. In this

context, the Carbon Market emerges as a mechanism that promises to

assist in addressing climate alterations, recently regulated in Brazil by

Law No. 15,042/2024. This legislation innovated the legal framework

by defining the legal nature of carbon credits, which had previously

remained undefined. Through descriptive and qualitative research using

the deductive method and bibliographic and documentary techniques, this

study identifies how the referred norm structured the legal nature of carbon

credits. To this end, it addresses the evolution of environmental law in

Brazil and worldwide, the theoretical discussions between Pigou and Coase

that underpin the Carbon Market, and its incorporation into the Brazilian

legal system, with the consequent definition of the legal nature of carbon

credits. The study concludes that the legal nature of carbon credits may vary

according to their use, as they may be considered securities when traded

on the financial and capital markets, or civil fruits in the case of forestry

credits from reforestation or preservation. However, the legislation remains

silent regarding credits from REDD+ programs. Furthermore, classifying

forestry credits as civil fruits raises doubts about their actual effectiveness

in mitigating climate change, as it may create a false impression of total

cancellation of greenhouse gas emissions, when in reality only a geographic

displacement of such emissions occurs.