A partir da década de 1990 a região da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai entrou no radar das preocupações com o terrorismo. O alerta foi soado pelas autoridades argentinas que investigavam os atentados à Embaixada de Israel (1992) e posteriormente à Associação Mútua Israelense (1994), em Buenos Aires. A partir de 2001 e da Guerra ao Terror, fontes do governo americano, estudiosos da temática e imprensa passaram a explorar o possível vínculo de árabes e muçulmanos da numerosa comunidade da região com terroristas do Oriente Médio. Partindo desta problemática, que foi o principal motivo da inserção da Tríplice Fronteira na agenda internacional contemporânea, o objetivo deste texto é apresentar notas introdutórias ao debate de como tal inserção internacional dialoga com os temas mais amplos das relações internacionais do início do século XXI. Partimos da hipótese de que o contexto da política internacional, da globalização e do enfraquecimento do Estado formam o pano de fundo das questões internacionais da Tríplice Fronteira.