Este trabalho tem como objetivo problematizar o conceito de solidões queera partir das provocações desencadeadas pelo filme Todos Nós Desconhecidos. A solidão neste trabalho é compreendida como um modo de produção de si, por meio das subjetividades, especialmente aquelas relacionadas à sexualidade. Para tanto, a pesquisa se inspira nos conceitos de solidão em Michel Foucault e Friedrich Nietzsche, articulando-os aos estudos queer e ao novo cinema queer, com vistas às problematizações de gêneros e sexualidades presentes no filme. A metodologia utilizada é a análise do discurso de inspiração foucaultiana, com a seleção de cenas que evidenciam os processos de solidão e de constituição de si. Conclui-se que o filme possibilita discussões e inquietações sobre as solidões de pessoas LGBTQIAPN+, destacando esse estado como um companheiro de suas existências. Questiona-se, assim, a busca por um/a parceiro/a, entendendo-a como uma norma social e uma expectativa ligada à lógica da completude do sujeito. Além disso, argumenta-se que a solidão integra o processo de constituição dos sujeitos, por meio do cuidado e experiência de si, atravessados pela subjetividade da sexualidade.