O ‘ser favelado’ no Rio de Janeiro: política urbana e a geografia do privilégio como marcadores do direito à cidade

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ISSN: 1415-1804
Editor Chefe: Rafael Soares Gonçalves
Início Publicação: 01/01/1997
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas

O ‘ser favelado’ no Rio de Janeiro: política urbana e a geografia do privilégio como marcadores do direito à cidade

Ano: 2026 | Volume: 1 | Número: 64
Autores: B. D. Pereira
Autor Correspondente: B. D. Pereira | [email protected]

Palavras-chave: Geografia do privilégio; Favelas suburbanas; Jacarezinho; Políticas urbanas seletivas; Direito à cidade

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo analisa a urbanização desigual das favelas cariocas a partir do conceito de “geografia do privilégio”, tomando o Jacarezinho como estudo de caso paradigmático. Demonstra como políticas urbanas seletivas – orientadas por valorização fundiária e interesses turísticos – hierarquizam territórios marginalizados, criando uma dupla exclusão para as favelas suburbanas: invisibilizadas pela localização periférica e excluídas dos circuitos de acumulação imobiliária. Baseado em pesquisa qualitativa (entrevistas com moradores e revisão histórica), o estudo revela que o “ser favelado suburbano” implica uma marginalização específica, distinta daquela vivida em favelas de áreas nobres. Os resultados evidenciam que o subúrbio opera como fronteira política, onde marcadores de raça, classe e território definem quem acessa os recursos da cidade. Conclui-se que a “geografia do privilégio” não é mero acidente, mas projeto urbano que naturaliza assimetrias, demandando modelos alternativos de planejamento.



Resumo Inglês:

This article analyzes the unequal urbanization of Rio’s favelas based on the concept of “geography of privilege”, taking Jacarezinho as a paradigmatic case study. It shows how selective urban policies - guided by land valuation and tourist interests - hierarchize marginalized territories, creating a double exclusion for suburban favelas: invisibilized by their peripheral location and excluded from real estate accumulation circuits. Based on qualitative research (interviews with residents and a historical review), the study reveals that “being a suburban favela dweller” implies a specific marginalization, distinct from that experienced in favelas in prime areas. The results show that the suburb operates as a political frontier, where markers of race, class and territory define who has access to the city’s resources. The conclusion is that the “geography of privilege” is not a mere accident, but an urban project that naturalizes asymmetries, calling for alternative planning models.