Este artigo analisa a urbanização desigual das favelas cariocas a partir do conceito de “geografia do privilégio”, tomando o Jacarezinho como estudo de caso paradigmático. Demonstra como políticas urbanas seletivas – orientadas por valorização fundiária e interesses turísticos – hierarquizam territórios marginalizados, criando uma dupla exclusão para as favelas suburbanas: invisibilizadas pela localização periférica e excluídas dos circuitos de acumulação imobiliária. Baseado em pesquisa qualitativa (entrevistas com moradores e revisão histórica), o estudo revela que o “ser favelado suburbano” implica uma marginalização específica, distinta daquela vivida em favelas de áreas nobres. Os resultados evidenciam que o subúrbio opera como fronteira política, onde marcadores de raça, classe e território definem quem acessa os recursos da cidade. Conclui-se que a “geografia do privilégio” não é mero acidente, mas projeto urbano que naturaliza assimetrias, demandando modelos alternativos de planejamento.
This article analyzes the unequal urbanization of Rio’s favelas based on the concept of “geography of privilege”, taking Jacarezinho as a paradigmatic case study. It shows how selective urban policies - guided by land valuation and tourist interests - hierarchize marginalized territories, creating a double exclusion for suburban favelas: invisibilized by their peripheral location and excluded from real estate accumulation circuits. Based on qualitative research (interviews with residents and a historical review), the study reveals that “being a suburban favela dweller” implies a specific marginalization, distinct from that experienced in favelas in prime areas. The results show that the suburb operates as a political frontier, where markers of race, class and territory define who has access to the city’s resources. The conclusion is that the “geography of privilege” is not a mere accident, but an urban project that naturalizes asymmetries, calling for alternative planning models.