Com base nas teorias de representação política, o presente artigo tem por objetivo mapear os grupos de representantes que falam em nome do autismo no Senado Federal, dando a ver as fontes de autoridade, as temáticas e as reivindicações de maior destaque. O texto explora as disputas de narrativas entre os grupos de representantes da comunidade autista, com ênfase na ação relacional e comunicativa que caracteriza a virada construtivista dos estudos de representação. A metodologia baseia-se em análise de conteúdo de reivindicações propositivas de senadores e interlocutores da sociedade civil, apresentadas durante sessões especiais e deliberativas que ocorreram em 2021 e 2022, período que marca os dez anos de criação da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, Lei n. 12.764/2012. Os achados indicam os parlamentares e familiares de pessoas autistas como os dois grupos com maior espaço de fala no Senado Federal, o que demonstra a ausência de participação dos próprios afetados, isto é, os autistas. De maneira geral, as reivindicações associam o autismo a uma questão de saúde e priorizam o acesso a terapias reabilitadoras como agenda de luta.