O caráter "transcendental" da Dialética e o da Doutrina do Método na "Crítica da Razão Pura"

Kant e-prints

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ISSN: 1677-163X
Editor Chefe: Daniel Omar Perez
Início Publicação: 01/01/2002
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Ciências Humanas

O caráter "transcendental" da Dialética e o da Doutrina do Método na "Crítica da Razão Pura"

Ano: 2015 | Volume: 10 | Número: 2
Autores: L. C. Y. Portela
Autor Correspondente: L. C. Y. Portela | [email protected]

Palavras-chave: dialética transcendental, analítica, doutrina do método.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O artigo visa, em um primeiro momento, demonstrar que épossível identificarmos na Crítica da Razão Pura pelo menos dois critérios que delimitam o que pertence ao âmbito de investigação da filosofia transcendental. Estes dois critérios, quando inter-relacionados e aplicados, permitem incluir ou excluir um âmbito de investigação da filosofia transcendental. Nasequência mostraremos que em estabelecendo tais critérios, Kant parece restringir o âmbito de investigação pertinente à filosofia transcendental somente às investigações pertencentes à Estética Transcendental e à Analítica Transcendental, o que implica naexclusão da investigação feita na Dialética Transcendental e na Doutrina Transcendental do Método. Feito isso, sustentaremos que tal não é o caso. No que se refere à legitimidade do qualificativo “transcendental” à Dialética, sustentaremos que Kant atribui um sentido ao termo "transcendental" na Dialética que, apesar de não recobrir exatamente o sentido próprio da mesma expressão utilizada na Estética Transcendental e na Analítica Transcendental, possui um sentido derivado que justifica seu uso legítimo. Quanto à legitimidade da atribuição do qualificativo “transcendental” à Doutrina do Método, sustentaremos que esta pode legitimamente ser denominada "transcendental" porque assume os resultados adquiridos pelo conhecimento transcendental expostos na Doutrina Transcendental dos Elementos e a eles se refere ao projetar o futuro sistema da razão pura.



Resumo Inglês:

Firstly, the article aims at demonstrating it is possible to identify at least two critiria which delimit what belongs to the scope of transcendental philosophy investigation in the Critique of Pure Reason. Secondly, we will show that, in setting such criteria, Kant seems to restrict the scope of the investigation relevant to transcendental philosophy only to the investigations concerned with Transcendental Aesthetica and Transcendental Analytic, what implies the exclusion of the investigation conducted in the Transcendental Dialectic and in the Method of Transcendentalism. Having set such point, we will sustain that is not the case. In what concerns the legitimacy of the use of “transcendental” regarding the Dialectic, we will sustain that Kant attributed to the term “transcendental” in the Dialectics a meaning which, although is not exactly the same proper meaning employed in the Transcendental Aesthetic and in the Transcendental Analytic, holds a derivative meaning justifying its legitimate use. As to the legitimacy of the attribution of “transcendental” to the Method Doctrine, wewill sustain that it is legitimate to name such doctrine “transcendental” because it takes over the results of the transcendental knowledge exhibited in the Transcendental Doctrine of Elements and is refered to them when projecting the future system of pure reason.