A proposta deste ensaio é analisar a passagem do romance Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, em que o corpo morto de Diadorim está sendo preparado para a cerimônia fúnebre, de modo a observar como a descoberta de que Diadorim possui um corpo dito de mulher redireciona a narrativa de uma representação centrada na tensão homoerótica entre os protagonistas para colocar em cena a questão do gênero de Diadorim. Este redirecionamento produziria um efeito de abertura e continuidade narrativa no momento em que a narração chega ao fim, o que se relaciona fortemente com a própria economia narrativa da obra literária em questão, que busca se constituir esteticamente por meio da noção de viagem, de passagem e de transitoriedade.