Reconhecendo o avanço e contribuições das discussões sobre a inserção de mulheres na política, este ensaio pretende ampliar o debate ao refletir a atuação de mulheres em cargos políticos. Observa-se o aumento da participação feminina na política sob o olhar da representatividade. Discute-se, por exemplo, estudos que apontam Suécia, Finlândia, Ruanda como menos desiguais em relação ao gênero por haver mais mulheres ocupando cadeiras nos parlamentos desses países em comparação ao Brasil (ARAÚJO; 2001; EMÍLIO; GOMES; OLIVEIRA; 2019). Os estudos acadêmicos e dados apresentados neste ensaio sugerem que, na política nacional e internacional, a participação da mulher ultrapassa o prisma da inserção. Estar na política não significa participar efetivamente da política. Especialmente quando essa participação diz respeito ao desenvolvimento, implementação e apoio às políticas públicas para as mulheres. Em relação ao Brasil, este ensaio explanou algumas barreiras e chamou a atenção à segregação por classe e raça, considerando a desproporcionalidade em relação às mulheres negras na política. Nesse sentido, parecem necessárias ações orientadas em ao menos duas direções fundamentais: uma inserção igualitária, de fato, considerando aspectos interseccionais como classe e raça; e a participação efetiva da mulher, a partir das reformas política e partidária.