A maternidade atípica, caracterizada pela criação de filhos com desvios no padrão típico de desenvolvimento, implica em transformações profundas e específicas na vida das mulheres que a experienciam, em comparação àqueles cujos filhos não apresentam diagnósticos de transtornos. O presente estudo identificou e analisou as dificuldades enfrentadas por mulheres que vivenciam a maternidade atípica solo sob a perspectiva feminista. Para isso, foi conduzido um estudo descritivo com seis mães de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. Os resultados indicam que a trajetória dessas mães é permeada por desafios complexos e multifatoriais. Observou-se que a intersecção entre gênero, sociedade e cultura contribui para a imposição de padrões de cuidado que, frequentemente, levam essas mulheres a negligenciarem suas próprias necessidades e desejos em prol da dedicação exclusiva aos filhos.