Neste texto, examina-se o contributo de Freire para a educação brasileira,
tomando-se como ponto de partida seu discurso-alerta, que denuncia o “descalabroâ€
educacional a que a massa trabalhadora se submetia pela manipulação decorrente do
discurso maniqueÃsta do poder oligárquico, travestido de “dotes†paternalistas e assistencialistas,
que a seduziam e, por vezes, a condenavam ao “ostracismo†socioeconômico,
polÃtico e cultural. Paralelamente, pontuam-se algumas construções neológicas da verve
freiriana, que, por sua carga semântico-conceitual, contribuem para precisar determinadas
situações analisadas pelo pensador pernambucano. Essas criações corroboram a
tese de que Freire não criava palavras a bel-prazer, mas o fazia para responder a uma
necessidade expressiva não satisfeita pelo vocabulário ortográfico, visando a uma leitura
mais aprofundada de mundo. Nessa perspectiva, aponta-se o rigor semântico do aparato
teórico-conceitual no discurso freiriano que exprime seu pensamento sociopolÃtico-filosófico,
explicita-se e discute-se como esse rigor se manifesta no texto escrito, estabelecendo
a relação entre semântica e pedagogia para explicar a carga expressiva de seu discurso.