O espaço como destino em A origem dos dias, de Miguel D’Alte

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

O espaço como destino em A origem dos dias, de Miguel D’Alte

Ano: 2026 | Volume: 37 | Número: 56
Autores: Milena Maia, Renan Henrique Messias de Paulo
Autor Correspondente: Renan Henrique Messias de Paulo | [email protected]

Palavras-chave: Miguel D'alte, A origem dos dias, Paisagem, Metaficção, Narrador

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo parte da leitura do romance A origem dos dias (2024), de Miguel D’Alte, a partir da articulação entre espaço, paisagem e metaficção. À luz da tensão entre criação literária e realidade, a leitura do romance evidencia os modos pelos quais a narrativa constrói uma geografia existencial marcada pelo deslocamento contínuo do protagonista, Tomás Franco, entre espaços rurais e urbanos para além das fronteiras de Portugal. Esses lugares funcionam como instâncias de sentido que moldam estados de consciência, afetos e modos de estar e perceber o mundo. A paisagem é compreendida na condição de categoria substancial a partir de Michel Collot (2013), enquanto resultado do encontro entre o mundo e um ponto de vista, revelando o processo de “espaçamento do sujeito”. A trajetória de Tomás é lida à luz do “herói problemático”, de Lukács (2009), cuja peregrinação interior se dá pela busca de origem, autoconhecimento e sentido. Além disso, o presente estudo destaca o caráter metaficcional do romance, mobilizando autores como Patricia Waugh (1984), Hutcheon (1984) e Dällenbach (1979), para mostrar de que maneira a narrativa reflete sobre o próprio processo de escrita e problematiza os limites entre ficção e realidade. Ao final, o retorno à paisagem de origem sugere a literatura enquanto espaço possível de pertencimento. Assim, A origem dos dias configura-se numa narrativa em que espaço, memória e escrita se entrelaçam na construção da subjetividade contemporânea. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).



Resumo Inglês:

This article examines the novel A origem dos dias (2024), by Miguel D’Alte, through the articulation of space, landscape, and metafiction. In light of the tension between literary creation and reality, the novel’s reading reveals how the narrative constructs an existential geography marked by the protagonist Tomás Franco’s continuous displacement between rural and urban spaces beyond the Portugal’s borders. These places function as instances of meaning that shape states of consciousness, affects, and ways of being in and perceiving the world. Landscape is understood as a substantial analytical category, following Michel Collot (2013), conceived as the result of the encounter between the world and a point of view, thus revealing the process of the “spacing of the subject.” Tomás’s trajectory is read in light of Lukács’s (2009) notion of the “problematic hero”, whose inner pilgrimage unfolds as a search for origin, self-knowledge, and meaning. In addition, this study highlights the metafictional dimension of the novel, drawing on theorists such as Patricia Waugh (1984), Hutcheon (1984), and Dällenbach (1979) to demonstrate how the narrative reflects upon its own writing process and problematizes the boundaries between fiction and reality. Ultimately, the return to the landscape of origin suggests literature as a possible space of belonging. Thus, A origem dos dias emerges as a narrative in which space, memory, and writing intertwine in the construction of contemporary subjectivity. This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).



Resumo Francês:

Cet article s’appuie sur une lecture du roman *L’Origine des jours* (2024) de Miguel D’Alte, et s’intéresse à l’articulation entre espace, paysage et métafiction. À la lumière de la tension entre création littéraire et réalité, cette lecture révèle comment le récit construit une géographie existentielle marquée par le déplacement incessant du protagoniste, Tomás Franco, entre espaces ruraux et urbains, au-delà des frontières du Portugal. Ces lieux fonctionnent comme autant d’instances de sens qui façonnent des états de conscience, des affections et des manières d’être et de percevoir le monde. Le paysage est appréhendé comme une catégorie substantielle, suivant Michel Collot (2013), résultant de la rencontre entre le monde et un point de vue, et révélant le processus de « mise en espace du sujet ». La trajectoire de Tomás est interprétée à la lumière du « héros problématique » de Lukács (2009), dont le pèlerinage intérieur est guidé par la quête de l’origine, de la connaissance de soi et du sens. En outre, cette étude met en lumière le caractère métafictionnel du roman, s'appuyant sur des auteurs tels que Patricia Waugh (1984), Hutcheon (1984) et Dällenbach (1979) pour montrer comment le récit interroge le processus d'écriture lui-même et problématise les frontières entre fiction et réalité. Enfin, le retour au paysage originel suggère la littérature comme un possible espace d'appartenance. Ainsi, *L'Origine des jours* se conçoit comme un récit où espace, mémoire et écriture s'entremêlent dans la construction de la subjectivité contemporaine. Ce travail a été réalisé avec le soutien de la Coordination pour le perfectionnement du personnel de l'enseignement supérieur – Brésil (CAPES).