Este artigo analisa relacionalidades envolvidas nos processos pelos quais sujeitos trans (homens trans, mulheres trans, travestis, transexuais) constroem identificação com um novo nome, alinhado à identidade de gênero, como parte da constituição da Pessoa na transição de gênero. Os dados resultam de pesquisa de campo etnográfica e entrevistas semiestruturadas realizadas em contextos de ativismo trans e em centros de defesa de direitos e promoção de políticas públicas para homossexuais, trans, travestis e transexuais, nas cidades de Natal, João Pessoa, Recife e São Paulo, entre 2017 e 2019. Observa-se que a escolha e a assunção de um novo nome ocorrem entre relações familiares e de amizade, em dinâmicas sempre relacionais e que envolvem conflitos e negociações com parentes e amigos, em práticas cotidianas de reconhecimento da identidade de gênero. A interpretação dos dados etnográficos sugere que a “transição” de nome é um processo que não marca somente o movimento de deslocamento na ordem de gênero. Identificar-se com “o nome que se é” envolve tanto o adensamento de vínculos sociais de família e/ou amizade que constituem Pessoas-Indivíduos quanto formas de ruptura, transformação ou atualização de relações para as quais o nome anterior era uma substância de relacionalidade importante.