O Poder Judiciário diante da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso das Comunidades Quilombolas de Alcântara: possibilidades de reconstrução institucional à luz do experimentalismo judicial

Revista da Defensoria Pública da União

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ISSN: 24484555
Editor Chefe: Erico Lima de Oliveira
Início Publicação: 18/10/2018
Periodicidade: Semestral

O Poder Judiciário diante da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso das Comunidades Quilombolas de Alcântara: possibilidades de reconstrução institucional à luz do experimentalismo judicial

Ano: 2025 | Volume: 24 | Número: 24
Autores: Fábio Lima Quintas, Leossandro de Sousa Vila Nova
Autor Correspondente: Fábio Lima Quintas | [email protected]

Palavras-chave: consulta prévia, livre e informada. corte interamericana de direitos humanos. experimentalismo judicial. participação. mesa de diálogo.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este artigo busca examinar em que medida as decisões da Corte

Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) podem servir como

referências normativas e interpretativas para o sistema de justiça brasileiro

na implementação efetiva dos direitos coletivos em contextos de conflito

socioambiental, como o caso de Alcântara. A análise se enquadra na

perspectiva teórica do experimentalismo judicial, modelo que defende

arranjos institucionais flexíveis, inclusivos e sujeitos a revisão contínua

para enfrentar litígios estruturais. O estudo destaca como a instalação e a

expansão do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), conduzidas sem

diálogo com as comunidades afetadas, resultaram em violações reiteradas de

direitos, culminando na condenação do Brasil no Sistema Interamericano.

A sentença da Corte IDH impôs medidas como a criação de uma mesa 

de diálogo permanente entre as comunidades e o CLA, a obrigação de

realização de consulta prévia em futuros projetos e o monitoramento

participativo de impactos socioambientais. Argumenta-se que o Judiciário,

por meio do diálogo institucional, pode assumir papel central na efetivação

das reparações ordenadas pela Corte IDH, garantindo transparência,

participação e reconstrução institucional. A experiência de Alcântara,

portanto, não deve ser vista apenas como condenação internacional,

mas como oportunidade para repensar a atuação jurisdicional em litígios

socioambientais complexos. Conclui-se que o experimentalismo judicial

pode servir de referencial teórico e prático para o avanço da implementação

de direitos coletivos no Brasil, abrindo espaço para arranjos mais

participativos e responsivos às demandas das comunidades tradicionais.



Resumo Inglês:

his article seeks to examine the extent to which decisions of the Inter-

American Court of Human Rights (IACtHR) may function as normative

and interpretative references for the Brazilian justice system in the

effective enforcement of collective rights within socio-environmental

conflict contexts, such as the Alcântara case. The analysis is framed

within the theoretical perspective of judicial experimentalism, a model

that advocates flexible, inclusive, and continuously revisable institutional

arrangements for addressing structural litigation. The study highlights

how the establishment and subsequent expansion of the Alcântara Launch

Center (CLA), undertaken without meaningful engagement with affected

communities, led to recurring rights violations, ultimately resulting in

Brazil’s condemnation before the Inter-American Human Rights System.

The IACtHR judgment imposed structural obligations, including the

creation of a permanent dialogue mechanism between the communities

and the CLA, the requirement of prior consultation in future projects, and

participatory monitoring of socio-environmental impacts. It is argued that

the Brazilian Judiciary, through institutional dialogue, may assume a central

role in operationalizing the reparations mandated by the IACtHR, thereby 

ensuring transparency, participation, and institutional reconstruction.

The Alcântara case, thus, should not be regarded solely as an episode of

international condemnation but as an opportunity to reconceptualize

judicial engagement in complex socio-environmental disputes. The

conclusion reached is that judicial experimentalism offers both a theoretical

and practical framework for advancing the implementation of collective

rights in Brazil, fostering more participative institutional arrangements that

are responsive to the claims of traditional communities.