Tradicionalmente, a percepção humana foi descrita a partir de cinco sentidos - visão, audição, olfato, paladar e tato -, herança do pensamento aristotélico. Avanços da neurociência contemporânea ampliaram esse modelo ao evidenciar a existência de sistemas sensoriais adicionais, como a propriocepção, a interocepção e a nocicepção, responsáveis por integrar informações do ambiente interno e externo. Nesse contexto de expansão da compreensão sensorial, este artigo defende a tese de que, na era da informação, os dados, enquanto fenômenos estruturados, interpretáveis e integrados aos processos cognitivos humanos, constituem uma modalidade perceptiva emergente, configurando um sexto sentido da percepção - entendido aqui em sentido metafórico-conceitual, e não literal-biológico. O estudo desenvolve uma investigação teórica de natureza interdisciplinar, por meio de revisão narrativa e análise hermenêutica, ancorada na fenomenologia da percepção, na ciência cognitiva incorporada e estendida e nos aportes da neurociência computacional, com o objetivo de fundamentar conceitualmente os dados como uma forma sensorial artificial. A análise problematiza os conflitos entre a percepção baseada em dados e os sentidos biológicos, os mecanismos cognitivos de filtragem da informação e os critérios de validação de decisões orientadas por esse novo regime perceptivo. À luz do princípio da plasticidade neural, argumenta-se que o cérebro humano é capaz de integrar fluxos abstratos de informação como entradas sensoriais funcionais, ampliando os limites biológicos da percepção. Discute-se, ainda, a progressão hierárquica Dados - Informação - Conhecimento - Insight - Sabedoria - Impacto como processo cognitivo intrínseco ao sexto sentido dos dados. Por fim, o artigo examina as implicações ontológicas e epistemológicas de uma percepção crescentemente mediada por algoritmos, questionando seus efeitos sobre a experiência humana e sobre a própria concepção de realidade.