Visou-se identificar, a partir da teoria psicanalítica, questões advindas da clínica institucional em um hospital universitário no contexto da covid-19. Os pontos abordados no presente trabalho levaram-nos a elaborar teoricamente um sintoma institucional: a objetalização. Tal conceito já foi utilizado por diversos autores e diz respeito à destituição do sujeito que, nos mais diferentes contextos, pode vir a ser tomado como objeto não apenas das práticas, mas também nos discursos. Levantamos a hipótese de que os efeitos da pandemia vivida em 2020, que assolou o hospital em que atuamos, escancarou a objetalização não apenas dos pacientes e de suas famílias, mas também das equipes, que, em sua maioria, procuraram esmerar-se sobremaneira para fazer frente à conjuntura. Desse modo, sustentamos que a objetalização, que vimos a olhos nus no contexto da pandemia, já estava latente na prática hospitalar, mesmo em tempos menos sombrios.
Based on the psychoanalytic theory, we aimed to identify issues arising from institutional clinical practice in a university hospital in the context of covid-19, which led to theoretically elaborate an institutional symptom: objectification. It is a concept used by different authors, which concerns the destitution of the subject who, in the most different contexts, can be taken as an object not only in practices but also in discourses. We hypothesized that the effects of the pandemic experienced in 2020, which overwhelmed the hospital in which we operate, particularly revealed the objectification not only of patients and their families but also of the teams that, in the great majority, tried very hard to cope with the situation. In consequence, we sustain that the objectalization, which we saw with the naked eye in the context of the pandemic, was already latent in hospital practice, even in less dark times.
Tuvimos como objetivo identificar, con base en la teoría psicoanalítica, cuestiones que surgen de la clínica institucional en un hospital universitario en el contexto del COVID-19. Ellas llevaran a elaborar, teóricamente, un síntoma institucional: la objetualización, concepto utilizado por autores y que se trata de la destitución del sujeto que, en los más diversos contextos, puede ser tomado como objeto no sólo en las prácticas, sino también en los discursos. Hipotetizamos que los efectos de la pandemia vivida en 2020, que azotó el hospital en el que operamos, reveló particularmente la objetualización no solo de los pacientes y sus familias, sino también de los equipos que, en la gran mayoría, se esforzaron mucho en hacer frente a la situación. De esta forma, sostenemos que la objetalización, que vimos a simple vista en el contexto de la pandemia, ya estaba latente en la práctica hospitalaria, incluso en tiempos menos oscuros.