Nesse texto, a partir de uma pesquisa militante que ainda está em andamento, mas que conta com participações em eventos, sobretudo, entre os anos de 2016 e 2018, busquei trazer alguns questionamentos às ações e discursos sobre aborto realizados durante tais atividades. A colocação de tais questionamentos foi desenvolvida de mãos dadas com os lugares sociais e as posições políticas desde os quais esses foram colocados, buscando trazer contribuições para historicizá-los nas constituições feministas, em nossa formação social e política latino-americana e brasileira. Tendo em vista o fortalecimento das práticas e articulações feministas, e a ampliação de nossas percepções sobre as presenças, os sentidos dados e as experiências que têm alimentado os campos feministas em relação ao aborto nesses contextos, busquei desnaturalizar a existência de uma única narrativa feminista sobre o aborto, que geralmente tem como referência sujeitas/os/xs e suas experiências compreendidas em territórios e historicidades nor-eurocêntricas, desprezando as contestações e disputas resultantes das desigualdades sociais presentes em nossas realidades.