A emergência do digital como paradigma ontológico reconfigurou não apenas as estruturas materiais da sociedade, mas as próprias bases epistemológicas que sustentam a produção do conhecimento e a experiência do real. Este artigo investiga, a partir de uma perspectiva interdisciplinar que articula filosofia da tecnologia, teoria crítica e estudos sociais da ciência, os processos pelos quais a mediação digital transforma a subjetividade, a linguagem e as relações de poder. Partindo de autores como Heidegger, Adorno, Floridi e Haraway, o estudo problematiza a noção de neutralidade tecnológica, demonstrando como os algoritmos e as plataformas digitalizadas reproduzem assimetrias históricas sob a aparência de objetividade. Metodologicamente, emprega-se a análise crítica do discurso e a fenomenologia hermenêutica para examinar casos empíricos como a vigilância algorítmica e a desmaterialização do trabalho. Os resultados apontam para uma dialética da tecnodependência, na qual a promessa de emancipação via tecnologia convive com novas formas de alienação. Conclui-se que a superação desta contradição exige uma rearticulação ético-política do conceito de humanismo digital, capaz de resgatar a agência humana sem recair em nostalgias pré-tecnológicas.