A desigualdade social configura-se como um problema histórico e persistente na sociedade brasileira, tornando imprescindível compreender o papel da educação tanto na manutenção quanto na superação dessa realidade. A partir do pensamento de Bourdieu, questiona-se em que medida uma escola particular situada em um bairro nobre apresenta maior eficácia no processo de ensino-aprendizagem quando comparada a uma escola pública localizada em um bairro periférico. Tais indagações exigem respostas fundamentadas nas vivências de sujeitos que atuam cotidianamente no contexto escolar e contribuem para sua construção. Bourdieu ressalta que a educação não é neutra, mas atua como um importante mecanismo de reprodução social, o que evidencia a necessidade de intervenções que promovam justiça educacional e reduzam as desigualdades estruturais. Segundo o autor, sem mudanças sistêmicas, o sistema educacional tende a perpetuar as divisões sociais existentes. Assim, propõe-se uma reflexão sobre o papel do educador e do capital cultural como potenciais agentes de transformação social, discutindo como fatores socioeconômicos influenciam o acesso, a permanência e o sucesso escolar, contribuindo para a manutenção de ciclos de desigualdade, ao mesmo tempo em que se constata que os grupos com maior poder aquisitivo se beneficiam de forma mais ampla das oportunidades oferecidas pelo sistema educacional.